{"id":1567,"date":"2026-09-04T15:19:51","date_gmt":"2026-09-04T15:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pampa.mapbiomas.org\/?page_id=1567"},"modified":"2026-09-04T15:19:51","modified_gmt":"2026-09-04T15:19:51","slug":"regiao-pampeana-da-america-do-sul-perdeu-21-de-suas-pastagens-naturais-nas-ultimas-quatro-decadas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/pampa.mapbiomas.org\/en\/regiao-pampeana-da-america-do-sul-perdeu-21-de-suas-pastagens-naturais-nas-ultimas-quatro-decadas\/","title":{"rendered":"Regi\u00e3o pampeana da Am\u00e9rica do Sul perdeu 21% de suas pastagens naturais nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<ul id=\"block-150ae2e0-f8d5-48d4-9bbe-31ecf5b512dd\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Dados sobre perda de cobertura natural dos pampas na Am\u00e9rica do Sul acontece no Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores (2026).<\/li>\n\n\n\n<li>A regi\u00e3o Pampeana ocupa 6% (109,2 milh\u00f5es de hectares) da Am\u00e9rica do Sul; \u00e9 uma das poucas regi\u00f5es do mundo ainda coberta por pastagens ou campos naturais.<\/li>\n\n\n\n<li>Entre 1985 e 2024, foram perdidos 11,3 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o natural na regi\u00e3o, principalmente cobertos por pastagem ou campo natural.<\/li>\n\n\n\n<li>Durante o per\u00edodo, a \u00e1rea de cultivos, principalmente de gr\u00e3os, aumentou 33%.<\/li>\n\n\n\n<li>A \u00e1rea destinada a florestas plantadas aumentou 503%, majoritariamente no Uruguai.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 apresentada uma nova cole\u00e7\u00e3o de mapas anuais com adi\u00e7\u00e3o do ano de 2024 e melhorias para os anos anteriores (1985-2023). A Cole\u00e7\u00e3o 5 do MapBiomas Pampa Trinacional conta com nove classes mapeadas de cobertura e uso da terra entre 1985 e 2024.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ano de 2026 foi declarado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores para reconhecer seu grande valor ecol\u00f3gico e social. Nesse contexto, destaca-se na Am\u00e9rica do Sul o bioma Pampa, uma das poucas regi\u00f5es do mundo ainda com pastagens naturais e com uma hist\u00f3rica tradi\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, e que ao mesmo tempo vem experimentando transforma\u00e7\u00f5es no uso das zonas rurais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o pampeana cobre 109,2 milh\u00f5es de hectares, o equivalente a 6% da Am\u00e9rica do Sul, e compreende o sul do Brasil, todo o Uruguai e o centro-leste da Argentina. A vegeta\u00e7\u00e3o campestre ou campos nativos \u00e9 a vegeta\u00e7\u00e3o natural t\u00edpica e dominante, formada por plantas herb\u00e1ceas nativas, principalmente gram\u00edneas e ervas. \u00c9 muito diversa: em um metro quadrado de pastagem \u00e9 comum encontrar de 10 a 60 esp\u00e9cies de plantas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m entre 1985 e 2024, a diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa foi equivalente \u00e0 superf\u00edcie da Bulg\u00e1ria. Perderam-se 11,3 milh\u00f5es de hectares, <strong>sendo 10,5 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o campestre<\/strong>, enquanto a superf\u00edcie de cultivos anuais ou perenes e de planta\u00e7\u00f5es florestais aumentou em 9,8 milh\u00f5es e 2,2 milh\u00f5es de hectares, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vegeta\u00e7\u00e3o nativa, que antes da coloniza\u00e7\u00e3o europeia cobria toda a regi\u00e3o pampeana, agora cobre apenas a metade (56 milh\u00f5es de hectares). Da \u00e1rea remanescente, a maior parte (71%) corresponde \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o campestre, que tradicionalmente foi utilizada para a pecu\u00e1ria e ainda conserva uma alta biodiversidade. Nos \u00faltimos 40 anos, a \u00e1rea de cultivos anuais ou perenes, especialmente de gr\u00e3os, aumentou 33%, e a de silvicultura se expandiu em 503%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados de perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa resultam de uma nova an\u00e1lise com imagens de sat\u00e9lite feita pelo MapBiomas Pampa, uma rede colaborativa de especialistas da Argentina, Brasil e Uruguai. A an\u00e1lise incluiu tamb\u00e9m as regi\u00f5es do Espinal e do delta do Rio Paran\u00e1, ambas exclusivas da Argentina. Para a regi\u00e3o, a recente Cole\u00e7\u00e3o 5, que compreende o per\u00edodo 1985-2024, com nove classes mapeadas, fornece informa\u00e7\u00f5es mais precisas e atualizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1985, ano de in\u00edcio do mapeamento, o grau de convers\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa j\u00e1 era alto: 35% da regi\u00e3o estava ocupada por pastagens cultivadas, \u00e1reas agr\u00edcolas e florestas plantadas. Nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, a convers\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o campestre em cultivos continuou progredindo. Em 2024, 45% da regi\u00e3o estava cultivada. Esse tipo de processo afeta a biodiversidade e os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que a vegeta\u00e7\u00e3o nativa fornece (regula o ciclo da \u00e1gua, controla a eros\u00e3o, prov\u00ea beleza c\u00eanica e identidade regional, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brasil, maior perda relativa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o e em termos relativos, o Brasil foi o pa\u00eds que teve a maior diminui\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Em 1985, tinha 12,4 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e, em 2024, apenas 8,6 milh\u00f5es de hectares. A perda foi de cerca de 3,7 milh\u00f5es de hectares, equivalente a 75 vezes a superf\u00edcie do munic\u00edpio de Porto Alegre (RS). A perda relativa nos 40 anos foi de 30%, vinculada principalmente ao cultivo de soja. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea de silvicultura, que ocupava 44 mil hectares em 1985,&nbsp; passou a ocupar 738 mil hectares em 2024, um aumento relativo de mais de 1500%. \u201cNo Brasil, a perda dos campos nativos aumentou nos \u00faltimos dez anos e n\u00e3o mostra sinais de redu\u00e7\u00e3o significativa\u201d, comentou Eduardo V\u00e9lez, da equipe MapBiomas Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Argentina, maior perda absoluta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Argentina foi o pa\u00eds que, em termos absolutos, registrou a maior perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa: cerca de 4,8 milh\u00f5es de hectares. A \u00e1rea de vegeta\u00e7\u00e3o nativa transformada foi mais de 123 vezes a superf\u00edcie ocupada pela regi\u00e3o metropolitana de Buenos Aires. Em 1985, havia 40,5 milh\u00f5es de hectares; em 2024, apenas 35,7 milh\u00f5es de hectares. Foi uma perda de 12% da \u00e1rea em 40 anos. Assim como no Brasil, o aumento esteve associado \u00e0 expans\u00e3o da agricultura. \u201cA \u00e1rea agr\u00edcola teve um aumento l\u00edquido de 4,8 milh\u00f5es de hectares\u201d, afirmou Diego de Abelleyra, do INTA, Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uruguai, maior superf\u00edcie de florestas plantadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Uruguai, a perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa foi equivalente a 53 vezes a \u00e1rea ocupada pelo departamento de Montevid\u00e9u (2,8 milh\u00f5es de hectares). Entre 1985 e 2024, a queda foi de 19%. A \u00e1rea agr\u00edcola aumentou 136%, passando de 1,4 milh\u00e3o para 3,4 milh\u00f5es de hectares. A mudan\u00e7a tamb\u00e9m esteve associada a um aumento relativo de mais de 900% da \u00e1rea de silvicultura, que passou de 117 mil hectares em 1985 para 1,3 milh\u00e3o de hectares em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm nosso pa\u00eds, a perda dos campos nativos resultou de um efeito combinado do avan\u00e7o da agricultura e da silvicultura\u201d, destacou Santiago Baeza, da Faculdade de Agronomia da Udelar, que coordena as atividades do MapBiomas Pampa no Uruguai. O caso \u00e9 \u00fanico na regi\u00e3o. Como resultado, em 2024, a superf\u00edcie com florestas plantadas com esp\u00e9cies ex\u00f3ticas no Uruguai (1,3 milh\u00e3o de hectares) foi superior \u00e0 da Argentina (619 mil hectares) e \u00e0 do Brasil (738 mil hectares).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre o MapBiomas Pampa Trinacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O MapBiomas Pampa (https:\/\/pampa.mapbiomas.org\/) \u00e9 uma rede multidisciplinar que trabalha de forma colaborativa com a participa\u00e7\u00e3o de especialistas locais de diferentes \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o da Argentina, Brasil e Uruguai. A rede utiliza imagens do sat\u00e9lite Landsat (30 metros de resolu\u00e7\u00e3o) e trabalha sobre a plataforma Google Earth Engine (GEE) para o processamento dos mapas e a gera\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas. A s\u00e9rie completa de mapas \u00e9 reprocessada a cada ano a partir das ferramentas dispon\u00edveis e a baixo custo. Esse monitoramento permite orientar a conserva\u00e7\u00e3o e o manejo sustent\u00e1vel dos recursos naturais. Todos os dados, mapas e m\u00e9todos est\u00e3o dispon\u00edveis de forma p\u00fablica e gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada pa\u00eds tem sua pr\u00f3pria rede de institui\u00e7\u00f5es e, nesta inst\u00e2ncia, disponibiliza-se a informa\u00e7\u00e3o em n\u00edvel regional para valorizar esse ecossistema que, em termos hist\u00f3ricos, \u00e9 um dos que maiores mudan\u00e7as apresentou no continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre a Regi\u00e3o Pampeana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o pampeana compreende a metade sul do Rio Grande do Sul, todo o Uruguai e parte da Argentina, ao redor do Rio da Prata. Trata-se de uma regi\u00e3o sob uso pecu\u00e1rio e agr\u00edcola h\u00e1 mais de 200 anos e, mais recentemente, sob uso para silvicultura. Abriga tr\u00eas grandes cidades e seus arredores: Buenos Aires, Montevid\u00e9u e Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A biodiversidade da regi\u00e3o pampeana caracterizou-se historicamente pelo predom\u00ednio da vegeta\u00e7\u00e3o nativa herb\u00e1cea, denominada vegeta\u00e7\u00e3o campestre,&nbsp; pastagem natural ou campo nativo. O clima da regi\u00e3o varia de subtropical a temperado, com sazonalidade t\u00e9rmica relativa pronunciada (invernos frios e ver\u00f5es constantes) e sem esta\u00e7\u00e3o seca (a chuva ocorre em todos os meses do ano).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pecu\u00e1ria come\u00e7ou sendo a atividade econ\u00f4mica caracter\u00edstica da regi\u00e3o durante os primeiros s\u00e9culos da coloniza\u00e7\u00e3o europeia, devido \u00e0 oferta natural de forragem em fun\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio da vegeta\u00e7\u00e3o campestre, com forte influ\u00eancia sobre os costumes e a cultura regional. A partir do s\u00e9culo XX, a regi\u00e3o sofreu um processo de mudan\u00e7a de uso devido \u00e0 expans\u00e3o da agricultura e, mais recentemente, pela silvicultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AViV Comunica\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Izabela Sanchez<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">+55 14 99643-4902 (whatsapp)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>ARGENTINA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INTA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diego de Abelleyra<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">deabelleyra.diego@inta.gob.ar<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">+54 9 11 6859-2459<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>URUGUAY<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Facultad de Agronom\u00eda &#8211; UdelaR<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Santiago Baeza<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">sbaeza@fagro.edu.uy<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">+59 8 99 901-271<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2026 foi declarado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores para reconhecer seu grande valor ecol\u00f3gico e social. 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