• Dados sobre perda de cobertura natural dos pampas na América do Sul acontece no Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores (2026).
  • A região Pampeana ocupa 6% (109,2 milhões de hectares) da América do Sul; é uma das poucas regiões do mundo ainda coberta por pastagens ou campos naturais.
  • Entre 1985 e 2024, foram perdidos 11,3 milhões de hectares de vegetação natural na região, principalmente cobertos por pastagem ou campo natural.
  • Durante o período, a área de cultivos, principalmente de grãos, aumentou 33%.
  • A área destinada a florestas plantadas aumentou 503%, majoritariamente no Uruguai.
  • É apresentada uma nova coleção de mapas anuais com adição do ano de 2024 e melhorias para os anos anteriores (1985-2023). A Coleção 5 do MapBiomas Pampa Trinacional conta com nove classes mapeadas de cobertura e uso da terra entre 1985 e 2024.

O ano de 2026 foi declarado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores para reconhecer seu grande valor ecológico e social. Nesse contexto, destaca-se na América do Sul o bioma Pampa, uma das poucas regiões do mundo ainda com pastagens naturais e com uma histórica tradição pecuária, e que ao mesmo tempo vem experimentando transformações no uso das zonas rurais.

A região pampeana cobre 109,2 milhões de hectares, o equivalente a 6% da América do Sul, e compreende o sul do Brasil, todo o Uruguai e o centro-leste da Argentina. A vegetação campestre ou campos nativos é a vegetação natural típica e dominante, formada por plantas herbáceas nativas, principalmente gramíneas e ervas. É muito diversa: em um metro quadrado de pastagem é comum encontrar de 10 a 60 espécies de plantas.

Porém entre 1985 e 2024, a diminuição da área de vegetação nativa foi equivalente à superfície da Bulgária. Perderam-se 11,3 milhões de hectares, sendo 10,5 milhões de hectares de vegetação campestre, enquanto a superfície de cultivos anuais ou perenes e de plantações florestais aumentou em 9,8 milhões e 2,2 milhões de hectares, respectivamente.

A vegetação nativa, que antes da colonização europeia cobria toda a região pampeana, agora cobre apenas a metade (56 milhões de hectares). Da área remanescente, a maior parte (71%) corresponde à vegetação campestre, que tradicionalmente foi utilizada para a pecuária e ainda conserva uma alta biodiversidade. Nos últimos 40 anos, a área de cultivos anuais ou perenes, especialmente de grãos, aumentou 33%, e a de silvicultura se expandiu em 503%.

Os dados de perda de vegetação nativa resultam de uma nova análise com imagens de satélite feita pelo MapBiomas Pampa, uma rede colaborativa de especialistas da Argentina, Brasil e Uruguai. A análise incluiu também as regiões do Espinal e do delta do Rio Paraná, ambas exclusivas da Argentina. Para a região, a recente Coleção 5, que compreende o período 1985-2024, com nove classes mapeadas, fornece informações mais precisas e atualizadas.

Em 1985, ano de início do mapeamento, o grau de conversão da vegetação nativa já era alto: 35% da região estava ocupada por pastagens cultivadas, áreas agrícolas e florestas plantadas. Nas últimas quatro décadas, a conversão da vegetação campestre em cultivos continuou progredindo. Em 2024, 45% da região estava cultivada. Esse tipo de processo afeta a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos que a vegetação nativa fornece (regula o ciclo da água, controla a erosão, provê beleza cênica e identidade regional, etc.).

Brasil, maior perda relativa

Em relação à região e em termos relativos, o Brasil foi o país que teve a maior diminuição de vegetação nativa. Em 1985, tinha 12,4 milhões de hectares de vegetação nativa e, em 2024, apenas 8,6 milhões de hectares. A perda foi de cerca de 3,7 milhões de hectares, equivalente a 75 vezes a superfície do município de Porto Alegre (RS). A perda relativa nos 40 anos foi de 30%, vinculada principalmente ao cultivo de soja. Além disso, a área de silvicultura, que ocupava 44 mil hectares em 1985,  passou a ocupar 738 mil hectares em 2024, um aumento relativo de mais de 1500%. “No Brasil, a perda dos campos nativos aumentou nos últimos dez anos e não mostra sinais de redução significativa”, comentou Eduardo Vélez, da equipe MapBiomas Brasil.

Argentina, maior perda absoluta

A Argentina foi o país que, em termos absolutos, registrou a maior perda de vegetação nativa: cerca de 4,8 milhões de hectares. A área de vegetação nativa transformada foi mais de 123 vezes a superfície ocupada pela região metropolitana de Buenos Aires. Em 1985, havia 40,5 milhões de hectares; em 2024, apenas 35,7 milhões de hectares. Foi uma perda de 12% da área em 40 anos. Assim como no Brasil, o aumento esteve associado à expansão da agricultura. “A área agrícola teve um aumento líquido de 4,8 milhões de hectares”, afirmou Diego de Abelleyra, do INTA, Argentina.

Uruguai, maior superfície de florestas plantadas

No Uruguai, a perda de vegetação nativa foi equivalente a 53 vezes a área ocupada pelo departamento de Montevidéu (2,8 milhões de hectares). Entre 1985 e 2024, a queda foi de 19%. A área agrícola aumentou 136%, passando de 1,4 milhão para 3,4 milhões de hectares. A mudança também esteve associada a um aumento relativo de mais de 900% da área de silvicultura, que passou de 117 mil hectares em 1985 para 1,3 milhão de hectares em 2024.

“Em nosso país, a perda dos campos nativos resultou de um efeito combinado do avanço da agricultura e da silvicultura”, destacou Santiago Baeza, da Faculdade de Agronomia da Udelar, que coordena as atividades do MapBiomas Pampa no Uruguai. O caso é único na região. Como resultado, em 2024, a superfície com florestas plantadas com espécies exóticas no Uruguai (1,3 milhão de hectares) foi superior à da Argentina (619 mil hectares) e à do Brasil (738 mil hectares).

Sobre o MapBiomas Pampa Trinacional

O MapBiomas Pampa (https://pampa.mapbiomas.org/) é uma rede multidisciplinar que trabalha de forma colaborativa com a participação de especialistas locais de diferentes áreas de atuação da Argentina, Brasil e Uruguai. A rede utiliza imagens do satélite Landsat (30 metros de resolução) e trabalha sobre a plataforma Google Earth Engine (GEE) para o processamento dos mapas e a geração de estatísticas. A série completa de mapas é reprocessada a cada ano a partir das ferramentas disponíveis e a baixo custo. Esse monitoramento permite orientar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais. Todos os dados, mapas e métodos estão disponíveis de forma pública e gratuita.

Cada país tem sua própria rede de instituições e, nesta instância, disponibiliza-se a informação em nível regional para valorizar esse ecossistema que, em termos históricos, é um dos que maiores mudanças apresentou no continente.

Sobre a Região Pampeana

A região pampeana compreende a metade sul do Rio Grande do Sul, todo o Uruguai e parte da Argentina, ao redor do Rio da Prata. Trata-se de uma região sob uso pecuário e agrícola há mais de 200 anos e, mais recentemente, sob uso para silvicultura. Abriga três grandes cidades e seus arredores: Buenos Aires, Montevidéu e Porto Alegre.

A biodiversidade da região pampeana caracterizou-se historicamente pelo predomínio da vegetação nativa herbácea, denominada vegetação campestre,  pastagem natural ou campo nativo. O clima da região varia de subtropical a temperado, com sazonalidade térmica relativa pronunciada (invernos frios e verões constantes) e sem estação seca (a chuva ocorre em todos os meses do ano).

A pecuária começou sendo a atividade econômica característica da região durante os primeiros séculos da colonização europeia, devido à oferta natural de forragem em função do domínio da vegetação campestre, com forte influência sobre os costumes e a cultura regional. A partir do século XX, a região sofreu um processo de mudança de uso devido à expansão da agricultura e, mais recentemente, pela silvicultura.

Contato

BRASIL 

AViV Comunicação 

Izabela Sanchez

+55 14 99643-4902 (whatsapp)


ARGENTINA

INTA

Diego de Abelleyra

deabelleyra.diego@inta.gob.ar

+54 9 11 6859-2459


URUGUAY

Facultad de Agronomía – UdelaR

Santiago Baeza

sbaeza@fagro.edu.uy

+59 8 99 901-271